Como funciona o Precon Shuffle
O formato testa exatamente o oposto do constructed competitivo: em vez de cada jogador chegar com a melhor lista possível, todos pegam pre-cons da prateleira. Na primeira rodada, cada um escolhe livremente qualquer pre-con que queira pilotar. A partir daí, quem está em última colocação tem prioridade de escolha sobre quem está em primeiro. Quanto melhor seu desempenho, pior a próxima escolha disponível. Para quem quiser entender o formato em mais detalhes, o canal Chicago Free City produziu um vídeo dedicado com o Kiel explicando as mecânicas e a estratégia de draft.
Doze pre-cons participaram do estudo, distribuídos pelos três sets principais: quatro de Alpha (os Avatares elementais originais do Kickstarter), quatro de Beta (Avatares com habilidades mais sofisticadas) e os quatro mais recentes, os Prophets of Doom de Gothic.
Os números abaixo são as wins e losses de cada pre-con durante o evento inteiro, conforme o tracking da Mythic Forge Gaming, ordenados da melhor pra pior taxa de vitória.
Os pre-cons de Alpha — os originais do Kickstarter
Os quatro pre-cons de Alpha foram lançados com a campanha de financiamento de 2022 e representam, cada um, um dos elementos fundamentais do jogo em sua forma mais simples.
Avatar of Air
11–5 2º lugarA habilidade do Avatar permite, ao pagar para jogar um site adicional, mover uma criatura aliada por cima de um site de ar. O deck inteiro foi construído em torno de movimentação: Plumed Pegasus jogada no turno 2 sobre uma tower oferece uma abertura agressiva, Cloud Spirit garante pressão antecipada, e Cloud City fornece movimentação grátis caso o jogador atinja três air threshold. O tema é coeso, e isso explica os números altos: foi escolhido cedo em cerca de 50% das rodadas iniciais.
Avatar of Water
6–8 7º lugarA habilidade do Avatar permite teletransportar para um site adjacente inundado. O tema do pre-con é waterbound, mas o arquétipo ainda estava anêmico em Alpha e Beta — faltavam ferramentas de remoção e movimento forçado, que só vieram em sets posteriores. O Diluvian Kraken aparece como finisher gigante, e Mother Nature tenta cumprir o papel que hoje cabe à Lilith em sets mais recentes. O resultado é um pre-con com bombas, mas pouca densidade consistente.
Avatar of Fire
10–5 3º lugarA habilidade transforma fire sites na mão em fireballs ao tap. O pre-con é agressivo, com dano direto puro: Lightning Bolt, Major Explosion, Ancient Dragon como finisher e Infernal Legion como minion sólido com efeito ETB. A leitura é simples: dano direto ganha jogos. Vale registrar um padrão observado pela comunidade — o Avatar of Fire é frequentemente pilotado como um deck de terra, porque cards como Kettletop Leprechaun e Land Surveyor permitem comprar sites consistentemente para converter em fireballs.
Avatar of Earth
7–11 6º lugarO Avatar oferece +1 power por cada earth site próximo — habilidade que pede para o jogador entrar em combate físico, atacando com a cara do próprio Avatar. Mas o pre-con vem cheio de spells caras: Mountain Giant, Midland Army, Craterize. Há uma contradição interna evidente: o Avatar quer atacar, mas o deck pede para tapar e jogar spells de oito de mana. Foi escolhido cedo nas primeiras rodadas porque os jogadores associaram Earth a power bruto, mas a dissonância entre Avatar e lista pesou ao longo do torneio.
Os pre-cons de Beta — Avatares mais sofisticados
Beta usa exatamente o mesmo card pool de Alpha, mas com Avatares novos e algumas mudanças no design das listas. O ponto que o Sorcerers Summit destaca é uma evolução técnica na montagem do pre-con: durante o desenvolvimento de Beta, a Erik's Curiosa parece ter chegado a uma ideia mais clara de como construir uma lista pré-pronta, com mais densidade de cards funcionais e redundâncias (duas cópias da mesma remoção, por exemplo). Isso não significa, porém, que os Avatares de Beta sejam intrinsecamente melhores que os de Alpha. As taxas de vitória do evento mostram, na verdade, um quadro misto: o Flamecaller (Beta) lidera o ranking, mas Avatar of Air e Avatar of Fire (Alpha) estão logo abaixo, à frente de três dos quatro Avatares de Beta.
Waveshaper
4–6 10º lugarA habilidade do Avatar combina inundação de site com tap em criatura adversária, impedindo o untap no próximo turno do oponente. É a versão tempo/controle da água. Inclui Wrath of the Sea como top end, Stormy Seas, Mariner's Curse e Seirawan Hydra como big six-six imune a dano não-letal. O Waveshaper é um pre-con mais relevante hoje do que no recorte Alpha/Beta puro — pós-Gothic, o card pool de água ganhou densidade —, mas no contexto desse evento ainda sofre com a ausência de um início agressivo.
Geomancer
8–5 4º lugar · venceu o eventoGeomancer tem duas habilidades: ao jogar um earth site, preenche um void adjacente com rubble; e pode tapar para trocar um rubble pelo topo do Atlas, gerando vantagem de carta. É um dos primeiros Avatares com card advantage embutido. O pre-con suporta a habilidade com Sinkhole, Payload Trebuchet, Rolling Boulder e Siege Ballista aproveitando token e ramp. O Geomancer é forte mesmo em formato constructed, não só em pre-con — e foi essa solidez que levou o deck à vitória da final.
Sparkmage
4–6 9º lugarO Avatar dispara dano em uma unidade aleatória em local próximo, igual ao total de air threshold gasto em spells naquele turno. É um Avatar spell-slinging, e o deck inclui Apprentice Wizard para card advantage, Lightning Bolt, Thunderstorm como sinergia direta, e Lucky Charm para fazer rolagens de chance dupla. Sofre da mesma fraqueza do ar em Alpha/Beta: o elemento ainda estava num momento ruim, sem tantas ferramentas defensivas.
Flamecaller
11–2 1º lugar · melhor do eventoA habilidade do Avatar banaliza todos os fire minions mortos no cemitério e dispara um projétil de dano igual ao total de fire threshold deles. É a versão refinada do que Avatar of Fire tentou fazer em Alpha. O deck mantém os fire bolts e mad dashes, adiciona Cone of Flame como finisher, Infernal Legion aproveitando os três fire threshold, e Askelon Phoenix como ave com benefício contra spells de fogo. Se a pergunta é qual pre-con escolher pensando em vitória, Flamecaller é a resposta direta — basta tapar o Avatar para disparar quatro ou seis pontos de dano aleatório, sem gastar carta nem mana adicional.
Os pre-cons de Gothic — Prophets of Doom
Os quatro pre-cons de Gothic introduzem uma novidade estrutural: agora são listas dual-element, e cada Avatar carrega um tema mecânico próprio (cheat out, brand de evil, ward, summon de skeletons). É um salto de ambição de design em relação ao single-element direto de Alpha e Beta. Apesar disso, em performance bruta do evento, três dos quatro pre-cons de Gothic ficaram na metade de baixo do ranking — sinal de que listas mais ambiciosas não traduzem automaticamente em mais vitórias.
Persecutor
7–9 5º lugarO Avatar pode mover-se para uma casa próxima a um inimigo evil ou brandeado. Tem dois pontos de power, então funciona como um Avatar de movimento livre e combate, algo entre um Avatar of Air e uma versão mais marcial. O pre-con explora marcação de evil para ativar bonuses: Bind Evil marca e desabilita, Lesser Blood Demon troca dois de vida por três de power, Flame Strike funciona como spell de área, e Blade of Thorns transforma o Avatar em uma criatura de cinco power, ao custo de dois de vida por turno. O tema do fogo aqui mudou: em vez do charge agressivo de Alpha e Beta, agora é auto-dano com bônus.
Savior
5–8 8º lugarA habilidade permite, ao pagar 1 mana, dar ward a um minion summonado naquele turno. Como o efeito não tem o limite de "uma vez por turno", múltiplos minions baratos podem ser protegidos em sequência — usando, por exemplo, Plague of Frogs para summonar muitos. Cards como Eltham Townsfolk, Order of the White Wing e Virgin in Prayer compõem a base de minions defensivos com ward, e o finisher é Golden Dawn, que distribui as cartas do topo do Spellbook na linha de fundo do realm (uma piscadela ao momento Aragorn convocando os mortos em O Senhor dos Anéis). O Savior pede um estilo de jogo off-tempo: a decisão de quando jogar um minion mais barato (e protegê-lo) ou esperar para baixar uma ameaça maior define a partida. Quando esse ritmo é mal calibrado, o resultado é punitivo.
Harbinger
5–10 11º lugar · último colocadoNa fase de setup, três quadrados aleatórios são marcados. Uma vez por turno, o jogador pode lançar um minion em um deles por 1 a menos. O tema é cheat out — colocar big stuff em jogo com desconto. Inclui Falling Star, Willing Tribute e Monstermorphosis como ferramentas de cheat, e Swap como interação. O resultado de torneio foi o pior do evento: a estratégia de cheat out big stuff cobra um preço em consistência da lista, que penaliza o pre-con em sequências de jogos contra adversários com início agressivo.
Necromancer
sem dados no vídeoUma vez por turno, paga 1 e summona um skeleton token — uma habilidade tão direta e eficiente que o próprio Sorcerers Summit descreve como possivelmente um pouco forte demais. O pre-con combina elementos de ar e fogo, com Draconian Bonekite como top end e cards agressivos de fogo como Hotwheel, Ignited e Khamaseen Mummy, complementados por Fowl Bones e Dreadwing no lado aéreo. A lista cumpre o papel sem brilhar — funciona com a estratégia de tokens, mas é decente, nada que vá entrar pra história. A configuração air-fire de fábrica não combina especialmente bem com o Avatar; a sinergia mais explorada na comunidade é Necromancer com água, ainda que existam algumas builds air-fire em circulação fora do pre-con.
Esse é o único pre-con que não aparece no ranking final do evento. Os dados de win rate da Mythic Forge Gaming para o Necromancer não foram citados na fonte que serviu de base para esse artigo. Mantemos a análise da lista e do Avatar, mas sem número de torneio para comparar.
A final e o veredito
A final foi entre um Avatar of Earth (Alpha) e um Geomancer (Beta) — disputa curiosa, considerando que o Avatar of Earth tinha um dos piores resultados acumulados no torneio. A vitória ficou com o Geomancer, reforçando que o Avatar é sólido até fora de pre-con: em formato constructed, ele segue como uma das opções competitivas viáveis.
Mas quando a pergunta é qual o melhor pre-con para um evento desses, a resposta numérica é outra. O Flamecaller fechou o estudo com a melhor performance proporcional: 11 vitórias contra apenas 2 derrotas. Se a decisão é pragmática — apostar em um único pre-con para chegar a um torneio dessa natureza —, Flamecaller é a escolha mais sólida. A habilidade do Avatar ataca todos os turnos sem consumir carta ou mana extra, e dano direto continua sendo uma das estratégias mais confiáveis em Sorcery.
Lições para quem está escolhendo o primeiro pre-con
Os dados do Precon Shuffle são úteis para quem está pensando em qual pre-con comprar como primeiro contato com o jogo. Algumas leituras editoriais a partir do que foi analisado:
- Flamecaller e Avatar of Fire são as escolhas mais fáceis. Dano direto é estratégia simples e robusta. Ambos performaram bem no evento e cobrem um arquétipo essencial que serve de base para o aprendizado de qualquer iniciante.
- Avatar of Air e Geomancer ensinam outras dimensões do jogo. O primeiro foca em movimentação e airborne, dimensão vertical fundamental em Sorcery. O segundo introduz card advantage e manipulação de Atlas, que prepara o jogador para pensar em sequência de sites.
- Avatar of Earth e Harbinger exigem mais experiência. Não porque sejam ruins, mas porque os Avatares pedem um estilo de jogo diferente do que a lista entrega na caixa. Demandam ajustes para destravar o potencial.
- Waveshaper e Sparkmage estão melhores hoje. Os dois sofreram com a fraqueza de água e ar no card pool de Alpha/Beta. Pós-Gothic, os elementos ganharam ferramentas, e ambos os pre-cons hoje são mais viáveis do que mostram os números desse evento específico.
Assista ao estudo completo
A análise original em que esse artigo se baseia está no canal Sorcerers Summit, e vale 34 minutos do seu tempo. Acompanhar o vídeo completo te dá os detalhes carta a carta que ficaram fora desse resumo editorial — incluindo comentários sobre cards específicos que decidiram partidas durante o evento.